um dia da caça a outra do caçador. De tanto o povo falar e rir as suas custas, pobre Gracinha, branquela e sem vida, chifruda desde os quinze, quando casara-se com o fazendeiro bem mais velho e mais experiente por interesse, passou a se valorizar mais, agora vivia se arrumando, se maquiando, usando roupas que atraiam a atenção dos homens de campo lindo, desde os xucros aos mais abastados amigos de seu marido. Enquanto isso, coxixos, malisdiscências ao pé do ouvido:- Essa alma tá querendo reza, esse bom espírito, tá querendo se perder nas entranhas perigosas do pecado! Bem feito pra Severino! murmuravam algumas senhoras revoltadas pela condição de serem mulheres e não poderem pagar os maridos com a mesma moeda e depois nada acontecer, continuar tudo como era antes como eles sempre fazem, quer dizer, ficam se vangloriando ainda por cima, dando uma de garanhão.Apesar do burburinho da gentinha sem ocupação, Gracinha aos poucos foi demonstrando uma mudança repentina. Primeiro o tamanho do vestido que diminuiu dois palmos, as mangas substituídas pelos decotes, mesmo não tendo uns seios fartos e cobiçados, depois os vestidos passaram a ficar apertados lhe realçando as curvas do corpo magro, mas ainda em perfeita forma,mesmo depois de colocar quatro filhos no mundo.A mulher séria, beata, pacata, passou a andar saracoteando pelos becos estreitos do lugarejo, dando o que o povo falar.
Nos bares os malandros entre um gole de pinga e uma garrafa de safadeza, não falavam em outra coisa.- A coitada tá precisada, há muito tempo que não ver a cor de homem, o marido só tem fogo pra professora, mulher mal amada é presa fácil, e olhe que a diaba não é feia não!
Um deles que nada dizia engolindo seco cada argumento, suspirou consigo mesmo:- vai ser agora ou nunca!




















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