Aos dezoito anos já era dona de mim. A partir desse momento, tudo começou a mudar em minha vida, pois nessa fase, já havia concluido a alfabetização. Com a expectativa de afanar outros horizontes, prosseguir meus estudos, me apeguei a um homem abastado que era irmão de Abílio e que havia ficado viuvo há pouco tempo. Tinha idade para ser meu avô.
Convenci-o a me levar para uma grande cidade, onde pudesse dar continuidade à minha formação escolar. Fomos para São Paulo. Naquela época, a cidade não era tão grande como é hoje, estava em desenvolvimento, em pleno período da revolução industrial.
Nos instalamos numa casa grande e luxuosa na Av. Paulista, onde haviam morado os antigos barões do café, com requinte e sofisticação. A escola a qual passei a frequêntar, era particular e de alto padrão, com professores formados em diversas línguas. Minha simpliscidade de camponesa aos poucos foi se esvaindo até me transformar numa dama da alta nobreza paulistana. Quando cursava o primeiro ano do ensino médio, meu marido, o Emiliano, se foi dessa para uma melhor, deixando para mim uma imensa tristeza, mas também a liberdade para adiministrar toda riqueza sua, já que não deixou nenhum filho no mundo.
O tempo passou, me formei em direito e me tornei uma mulher muito respeitada. Só que me sentia só, não tinha filhos para dividir o imenso patrimônio. Homens, era só querer, bastava piscar como se faz com os cachorros, estavam todos aos meus pés, bando de interesseiros! Homens não valem nada, mas nem todos, não posso generalizar. Emiliano foi o melhor homem que conheci.
Me formei em advocacia, não por necessidade, mas para defender o direito dos pobres e oprimidos, de mulheres que apanham de seus parceiros, mulheres estupradas, funcionários engabelados pelos patrões, vítimas de assédio sexual, enfim trabalho para defender as causas sociais. As pessoas que precisam, sabem onde me encontrar e sabem que eu não cobro nada pelo serviço.
Numa tarde de segunda-feira fui abordada por um homem jovem totalmente descontrolado. As poucas terras que sua família possuia, foram invadidas por um latifundiário que se dizia o verdadeiro dono do minifúndio. Reparei um pouco na fisionomia do sujeito e notei que era muito bonito. Pedi então que ele sentasse e me contasse aquela história direito.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
senhora dos meus desejos capitulo 4
Eu passei dos limites de mim na busca incessante por minha realização pessoal. Não queria ser apenas um piloto de fogão, uma máquina do sexo ou uma geradora de filhos. Meus sentimentos agiram por mim, embora tendo que desobedecer e fazer sofrer aqueles a quem mais amava.
Não me tornei uma feminista, pois sabia que o amor sempre fez parte da conquista pessoal de uma mulher, também porque queria me doar para alguém recebendo dele total cumplicidade e brotar filhos de um amor verdadeiro, não de uma relação conjugal por aparência. Prostituta naquelas condições, melhor não se tornar porque sofriam do mesmo mal que as senhorinhas recatadas. Por serem amantes de senhores machistas, dominadores e preconceituosos, eram escomungadas da sociedade, sem permissão para frequêntar os mesmos ambientes que as senhoras chinfronésias de Horizonte Novo. Não viviam de luxo, nem de grandes ostentações, pois recebiam misérias pelo serviço. Por nunca me aproximar do salão onde aconteciam as orgias sexuais, tinhamos pouco contato, já que eu passava o dia costurando no ateliê de D. Dirse.
Meus pais por causa da pressão, do falatório dos desocupados, deram um jeito de desaparecer da região. Foi o momento mais difícil de minha vida. minha mãe era meu sustentáculo, sem a presença dela eu me senti vazia, fraca, sem propósitos para ir além daquilo que eu tanto almejava. Na situação de senhora de mim mesma, comecei a dar por falta de suas preocupações, de seu extremo amor de mãe, enfim de seus cuidados preciosos. A saudade foi me consumindo aos poucos, me tornando íngreme como uma pedra. Fui ao fundo do poço e voltei, era como se minha mãe estivesse morta, algo me dizia que ela estava morta. Meses depois, um cliente do bordel de madame Margarett, me trouxe a certeza de seu falecimento, meu pai a tinha matado. Não chorei mais, cultivei comigo essa tristeza profunda e para sempre. Deus me deu o conforto como dá para todos os filhos que perdem as mães.
Segui meu caminho ainda mais revoltada com a situação de ser mulher numa sociedade tão cruel e injusta, onde homens impõem, estupram, corrompem a moral e até matam suas vítimas indefesas. Meu pai, graças a Deus, nunca mais o vi, guardo por ele o pior dos sentimentos humanos.
Não me tornei uma feminista, pois sabia que o amor sempre fez parte da conquista pessoal de uma mulher, também porque queria me doar para alguém recebendo dele total cumplicidade e brotar filhos de um amor verdadeiro, não de uma relação conjugal por aparência. Prostituta naquelas condições, melhor não se tornar porque sofriam do mesmo mal que as senhorinhas recatadas. Por serem amantes de senhores machistas, dominadores e preconceituosos, eram escomungadas da sociedade, sem permissão para frequêntar os mesmos ambientes que as senhoras chinfronésias de Horizonte Novo. Não viviam de luxo, nem de grandes ostentações, pois recebiam misérias pelo serviço. Por nunca me aproximar do salão onde aconteciam as orgias sexuais, tinhamos pouco contato, já que eu passava o dia costurando no ateliê de D. Dirse.
Meus pais por causa da pressão, do falatório dos desocupados, deram um jeito de desaparecer da região. Foi o momento mais difícil de minha vida. minha mãe era meu sustentáculo, sem a presença dela eu me senti vazia, fraca, sem propósitos para ir além daquilo que eu tanto almejava. Na situação de senhora de mim mesma, comecei a dar por falta de suas preocupações, de seu extremo amor de mãe, enfim de seus cuidados preciosos. A saudade foi me consumindo aos poucos, me tornando íngreme como uma pedra. Fui ao fundo do poço e voltei, era como se minha mãe estivesse morta, algo me dizia que ela estava morta. Meses depois, um cliente do bordel de madame Margarett, me trouxe a certeza de seu falecimento, meu pai a tinha matado. Não chorei mais, cultivei comigo essa tristeza profunda e para sempre. Deus me deu o conforto como dá para todos os filhos que perdem as mães.
Segui meu caminho ainda mais revoltada com a situação de ser mulher numa sociedade tão cruel e injusta, onde homens impõem, estupram, corrompem a moral e até matam suas vítimas indefesas. Meu pai, graças a Deus, nunca mais o vi, guardo por ele o pior dos sentimentos humanos.
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