sexta-feira, 13 de novembro de 2009

senhora dos meus desejos capitulo 5

Aos dezoito anos já era dona de mim. A partir desse momento, tudo começou a mudar em minha vida, pois nessa fase, já havia concluido a alfabetização. Com a expectativa de afanar outros horizontes, prosseguir meus estudos, me apeguei a um homem abastado que era irmão de Abílio e que havia ficado viuvo há pouco tempo. Tinha idade para ser meu avô.
Convenci-o a me levar para uma grande cidade, onde pudesse dar continuidade à minha formação escolar. Fomos para São Paulo. Naquela época, a cidade não era tão grande como é hoje, estava em desenvolvimento, em pleno período da revolução industrial.
Nos instalamos numa casa grande e luxuosa na Av. Paulista, onde haviam morado os antigos barões do café, com requinte e sofisticação. A escola a qual passei a frequêntar, era particular e de alto padrão, com professores formados em diversas línguas. Minha simpliscidade de camponesa aos poucos foi se esvaindo até me transformar numa dama da alta nobreza paulistana. Quando cursava o primeiro ano do ensino médio, meu marido, o Emiliano, se foi dessa para uma melhor, deixando para mim uma imensa tristeza, mas também a liberdade para adiministrar toda riqueza sua, já que não deixou nenhum filho no mundo.
O tempo passou, me formei em direito e me tornei uma mulher muito respeitada. Só que me sentia só, não tinha filhos para dividir o imenso patrimônio. Homens, era só querer, bastava piscar como se faz com os cachorros, estavam todos aos meus pés, bando de interesseiros! Homens não valem nada, mas nem todos, não posso generalizar. Emiliano foi o melhor homem que conheci.
Me formei em advocacia, não por necessidade, mas para defender o direito dos pobres e oprimidos, de mulheres que apanham de seus parceiros, mulheres estupradas, funcionários engabelados pelos patrões, vítimas de assédio sexual, enfim trabalho para defender as causas sociais. As pessoas que precisam, sabem onde me encontrar e sabem que eu não cobro nada pelo serviço.
Numa tarde de segunda-feira fui abordada por um homem jovem totalmente descontrolado. As poucas terras que sua família possuia, foram invadidas por um latifundiário que se dizia o verdadeiro dono do minifúndio. Reparei um pouco na fisionomia do sujeito e notei que era muito bonito. Pedi então que ele sentasse e me contasse aquela história direito.

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