terça-feira, 29 de dezembro de 2009

GRACINHA capitulo 1

Janeiro de 2008, as primeiras chuvas começavam a cair em campo lindo, cidadezinha pequena do interior do nordeste. Severino olhava os campos verdejantes minados de frutos silvestres. Os passarinhos faziam festa nas azeitoneiras, goiabeiras, nos pés de muricis e guabirabas. Os jagunços de severino, também agricultores, festejavam pensando, na boa colheita que iam ter naquele ano.
severino era bom homem, bom patrão,bom pai,bom marido também ,mas tinha o hábito de não resistir a um rabo de saia. com um grande poder aquisitivo, tinha todas as mulheres que quisesse e com quarenta e cinco anos de idade, muita lenha para queimar.
Todas as festas daquela região eram patrocinadas pelo nosso protagonista bonachão.
o único defeito do homem era mesmo a combustão sexual por mulheres jovens, negras e com um belo rabo-bumbum para os mais civilizados- pois no linguajá do povo de campo lindo era rabo mesmo, olha o pé de rabo dessa safada! viviam a falar para mariquinha do zé vieira, mulher da cor de jumbo, da cintura fina e do traseiro fertil, sempre em requebro, capaz de deixar qualquer homem no cio. marica, assim era conhecida na região, tinha sido caso de severino, perdera a virgindade com ele em troca de um pedaço de terra para o pai, que não tinha onde cair morto. Acabou ganhando uma casa pra morar e emprego pra toda familia na casa grande, mas também seu traseiro ou pé de rabo, o mais famoso da região, foi motivo de festa para severino por muitos anos, só acabou porque um abastado fazendeiro, solteiro e jovem, se encantou com a moça e casou se com ela, mas pra quem pensa que severino ficou chupando o dedo ou se acabando na bronha, se enganou, marica casou e ficou servindo ao insaciável severino de oliveira prado, até ele abusar dela e se enrabichar por outra moça, uma forasteira do rabo ainda maior que marica que apareceu por ali para ser professora, cheia de conhecimento e requebro no traseiro avantajado, cheia das safadezas também.
-severino você não presta, mas gosto docê, meu branco filha da puta! Falava a pobre esposa corneada, se chifre de marido espontasse na cabeça a dela estava colorida, o interessante é que Gracinha, a matriz de severino, não tinha um rabo malicioso, era branquela, pálida, magra e de cabelos lisos claros, muito educada. vai entender os homens, fetiche sexual é fogo!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

maria-homem capítulo final

Muitos anos se passaram. Meu adorável irmão por ter se envolvido em negócios escusos como sempre, acabou sendo deposto do alto cargo político que exercia na assembléia constituinte, tendo como substituto na carreira o rebento Peter que lhe saíra igual em tudo, até com a mesma disposição sexual. Político, corrupto, com todos os atributos de nobreza e malidiscência. Esse porém, foi também responsável pela briga que tive com meu irmão, o colocando na justiça para adquirir o que era meu por direito, pois Peter não aceitava que a tia velha tivesse poder sobre a herança que julgava única e exclusiva do pai.
Saí daquela casa com as mãos abanando como uma qualquer, sem direitos trabalhísticos reconhecidos, sem amor de família e se eu não tivesse minhas economias, talvez tivesse ido parar num abrigo de velhinhos, Lar,doce lar. Mas Deus é justo e eu ganhei a causa na justiça, provei para eles com quantos paus se faz uma canoa. Metade da bufunfa doei para Lar, doce lar, a outra metade guardei para as despesas finais de minha vida. Ainda tenho algum tempo para ver em minha velha bola de cristal o que o destino ou a sorte, sei lá, reserva para Peter, o demolidor de corações e vidas também, tão ruim feito a peste do avõ.
Está escrito no destino do menino rico, que usa e abusa do que é do povo por direito, sem se comover um só momento com a miséria estampada no olhar de nossa gente sofrida, que terá pouco tempo de vida, sua própria frieza o destruirá. Menino que nasceu para satisfazer ambições, sempre tratado como rei, pisando em todo mundo, incapaz de amar e ajudar o próximo, vilão de si mesmo, pobre menino rico morrerá enfiado na ponta da peixeira de um humilde agricultor, a quem tanto mal fará, tirará a vida de seu filho por brincadeira, só porque o rapaz desobedecerá suas ordens. Nobre homem do campo, fará justiça com as próprias mãos e se tornará senhor e herói de seu povo. Alcançará a honra e conquistará o orgulho de toda sociedade brasileira. È o destino, ninguém muda o destino.
Estou um pouco tonta, pernas bambas, não consigo mais andar, nem soltar a voz. De repente tudo ficou escuro. Ouço passos não- humanos, mãos que me carregam pelo vazio de meu mundo que não mais existe. Sem forças para resistir, me deixo levar, enquanto navego em mim mesma e deixo tudo para trás, o que foi bom e o que foi ruim. Estou nos braços da morte e ela tem a cara de Maria- homem, minha amada mãezinha. Um túnel de luz se abre em nossa frente, sei que poderia lutar para não partir, mas a sensação que tenho è de pura liberdade. Eu preciso ir, preciso desvendar os mistérios que em vida nunca tive oportunidade, pois a ambição dos homens é maior que a paz de espiríto que cada um precisa ter. Adeus, quem sabe um dia em outra vida a gente se encontre.


Fim

Manoel Dérson
07 de outubro de 2007

maria-homem cap 6 a verdade em pratos limpos.

De todas as serviçais da casa, eu havia sido a única que ele não tinha levado para a cama, pois eu sabia a verdade, os laços sanguineos que nos uniam, Era duro resistir a uma tentação,quando se tratava do homem mais bonito, rico e cobiçado de Dunas. Uma tentação que só os laços de parentesco conseguiria me manter afastada. De subalterna, passei a ser vista pela sociedade com outros olhos quando todos ficaram a par da verdade. As pessoas começaram a me tratar de um jeito diferente. Mas não exigir nenhuma riqueza, nenhum privilégio, sendo para mim favorável apenas os laços familiares.tamanha foi a repercussão da notícia, que fez com que João Mário, o outro irmão, saísse de São Paulo e vinhesse me visitar com a família.Suas filhas eram duas moças lindas, uma atriz de televisão e a outra, bem a outra, eu tive minhas dúvidas desde que a vi pela primeira vez, quanto a sexualidade. Pelo jeito tinha nascido homem, mas não satisfeita com o que Deus havia lhe dado, desafiou a natureza, passando por uma cirurgia bastante delicada.Maria luíza, a original de fábrica,trouxera o namorado, um francês muito do safado, que sem perder um minuto no submundo perdido no meio do nada, traçara todas as adolescentes chegadas a dinheiro e forasteiros, uma mulher culta e comportada. Já em relação ao traveco, não se pode afirmar o mesmo, a bela loira saiu catando tudo que era homem casado da cidade, feito Maria homem, a tia que pelo currículo histórico de amantes e prostituição, havia aguçado o desejo do marica em ser mulher e fazer o mesmo, chamava-se Marcela, a devoradora de homens. Devorava-nos e contava para meio mundo.
Mário trouxera também uma concubina de seios fartos e traseiro vibrante que tinha idade para ser sua neta, um encanto a lambisgóia, caçadora de tesouro e de amantes ricos, podres de ricos. Os dois meses que passaram em Dunas foi uma diversão só! Resultado: a atriz optou por deixar o tarado do francês. A teuda e manteuda de João Mário, traiu-lhe com o safado de meu irmão que não dispensava um rabo de saia, sem largar seu carcomido ancião, é claro! Marcela de olhos derretidos, parecendo uma cabrita no cio, sem nada a perder, fez um discurso em plena praça pública sobre suas relações sexuais intensas com os homens da cidade, provocando divórcios e muita confusão. Eu que me diverti com tudo isso, também acabei entrando na história. O marica andou espalhando para meio mundo que eu era vitalina, o que não era verdade, por causa disso, para desfazer a má impressão das pessoas a meu respeito, tive que arrumar um namorado, um amante vai,namorado na minha idade fica até meio caricato. O sujeito que me flertava fazia tempo, era novinho em folha, por certo,estava interessado mesmo na minha herança, não em mim, mas como eu pretendia unir o útil ao agradável, começei a me relacionar com o moço que era um colosso de homem. Foram muitos dias de diversão e safadeza. Depois ele me jogou os pés, casando com um brotinho da mesma idade dele. Tudo se foi daí por diante, a primavera de sonhos, a fartura de meus férteis desejos sexuais, restando- me apenas as agruras da velhice que se aproximava, junto com a mesma a artrite e a artrose.

maria-homem cap 7 seu arteiro, o contador de histórias e pai de maria-homem

Onde apresenta-se seu Arteiro com árdua trajetória de vida e boas histórias para contar

Seu Arteiro, pai de Maria, era homem andarilho desde a infância. Ainda menino, quando tinha mais ou menos uns onze anos de idade, foi párar no Maranhão por causa da seca, caminhando léguas e léguas com a familia a pé. Passou uma temporada por lá, trabalhando de sol a sol numa fazenda, mas assim que o latinfundiário notou seu crescimento financeiro, espancara-no, lhe tomando tudo que havia conseguido. Na época, Maria tinha seus nove meses de vida, por isso não ficara a par do que se passara. Andarilho, porém, era conhecedor de várias histórias interessantes, como por exemplo a de Rosa ventania. Maria venerava ouvir o pai contando suas narrativas , por isso quando estava em casa, fazia questão que Arteiro soltasse a voz e a sabedoria. Naquela tarde ele aproveitou para falar sobre Rosa, o furacão no corpo de mulher. Apenas uma jovem de dezessete anos, casada, com dois filhos para criar. Criatura calma, sossegada, levava uma vida humilde, vivendo somente para o marido e os filhos. De repente Rosa muda da água para o vinho, começa a sair, fazendo com que a população passe a desconfiar de sua fidelidade ao santo esposo, um xucro pescador ignorante, que a traía com uma mulher de mais de sessenta anos, por causa da poupança da velha. Costata-se que Rosa não está batendo bem da cachola, quando o marido dela a encontra trepada no mais alto mangue, que havia na redondeza. - Rosa está com o diabo no corpo! Passa a insinuar a população em pânico. Rosa volta para casa e continua em paz com sua vidinha de nada, esperando uma nova crise chegar, porque o idiota do marido dela, se divide somente entre a pesca e a amante cheia de rugas, deixando a pobre menina ao Deus dará.-Rosa precisa de homem urgentemente! Volta a murmurar a população malidiscente - mulher histérica como ela não vive sem homem. E Rosa sofre a segunda crise ainda mais brava do que a primeira. Rosa vai até a casa da vizinha e rasga uma galinha viva com as mãos, estrangulando a pobre ave. Dessa vez, a sociedade é um pouco mais solidária com a jovem: -Rosa está com algum espírito no corpo, e precisa urgentimente de cuidados. Naquele dia, Rosa só se acalmou, depois que as beatas começaram a rezar perto dela. A terceira crise veio ainda mais forte. Encontraram Rosa nadando, enfrentando uma forte correnteza, quando de fato Rosa não sabia nadar. - Tirem o demônio do corpo dessa mulher! Gritavam as beatas apavoradas com a extrema violência de Rosa na água, ora nadando em pé, ora de bruços, dispescando currais e fazendo diversas acrobacias. Tiraram Rosa finalmente da água e a levaram para o terreiro, para pai menininho curá-la. Nesse meio tempo, com medo que a mulher não recuperasse mais o juízo perfeito, o frouxo do marido dela, arrumou as trouxas, os filhos, a concubina quase fenecida e caiu no mundo. Livre dos três espíritos que lhe torturavam, Rosa dá graças a Deus pelo fardo que carregava ter desaparecido, por certo o marido, que não valia um vintém, os filhos tinha esperança de recuperá-los mais tarde, quando estivesse em melhor situação financeira e parte para São Paulo.
Em São paulo é onde está a esperança de todos os nordestinos em melhorar de vida, mas as vezes a miséria os persegue ainda mais, já que o fluxo migratório é muito grande e os melhores orgãos empregadores exigem mão-de-obra qualificada, coisa que poucos brasileiros podem ter, principalmente os nordestinos que vão para lá, em sua grande maioria, analfabetos e ruralizados.
Com Rosa não foi diferente, o caminho de volta ela não mais conseguiu, esquecida no lixo do meretrício urbano. Depois de ouvir a história comovente de Rosa tempestade, Maria dá uma saidinha rápida no quintal e o que vê a agrada muito. Tratava-se de um homem nu, homem não, um deus grego, coberto de beleza e encanto, o mais bonito que havia avistado em toda sua vida.Assim que a viu o menino fingiu que tinha ido tomar banho num rio ali perto e que alguém tinha roubado seu calção ,mas Maria esperta, percebeu na hora que o jovem nubente estava blefando. Tinha plena consciência de que a maioria dos adolescentes da cidade fantasiavam uma noite de amor com ela, até porque Martônio havia publicado coisa que até Deus duvida. Embora percebendo o garoto por demais confuso, arrastou-o para seu quarto, ensinando-lhe o alfabeto do a ao z. Só o que ela não esperava é que naquele dia estava com a fertilidade à flor da pele, por isso engravidou do deus grego, assumindo relacionamento em seguida com Pedro Francisco, que de nada chegou a desconfiar. A sorte estava lançada.

maria-homem cap 5 do romance com mardonio a revolta das beatas de Dunas

MARIA PAPA TUDO

Ninguém conseguiria deter os desejos pecaminosos de Maria, a morena era fogo na coivara, chama acesa, pronta para incendiar. Quando ela resolveu aterrissar naquele fim de mundo, é porque tinha um propósito, afinal ningúem deixa a civilização atoa, Maria fogueteira queria ir além da imaginação, deitar e rolar com os capiaus daquele agreste de nada, tirar a paz das mulheres insosas que viviam apenas para um homem e em função dele, sem se importar com as traições, as humilhações e com seus machismos exarcebados. Em vez de revoltada pela ameaça das amélias de araque, ficou feliz por elas terem tomado atitude, já que seu propósito dependia da união daquelas matutas. Por isso quando soube que o delegado havia prendido todas elas, ordenou que as soltassem o mais rápido possível, juntando-se as mesmas na santa sacristia, enquanto jurou para as beatas de pé junto, que a partir daquele momento, não mais se divertiria com o marido de nenhuma delas. Certas de que Maria era mulher de pulso firme, resolveram dar credibilidade à moça, como se dissesssem: - Eu confio no seu taco e no seu fogo também, Maria papa tudo! Só que a mulher de Mardônio, insatisfeita com a situação, resolveu ficar de fora do acordo, afinal tinha sido traída e chifre é como caxumba, precisa de um tempo para sarar. Na verdade, Maria e ela nunca foram lá grandes amigas. Durante a infância viviam a brigar feito cão e gato, sendo que na adolescência a coisa só piorou, porque todos os namoradinhos que Salete arrumava, Maria dava sempre um jeito de tomar. Maria foi um fardo pesado que Salete teve que carregar até os quinze anos, já que eram da mesma idade, mas Maria por sua vez, pretendia conquistar a amizade de Salete. Para isso teve que sossegar o facho e se contentar com apenas um homem, para dar a impressão de que estava realmente tentando mudar sua concepção de que homem é que nem roupa, quanto mais se troca, mais se tem a sensação de limpeza. O escolhido foi aquele a quem me referi nos primórdios dessa narrativa, o mesmo que lhe sorriu na chegada, Pedro Francisco, ex-garimpeiro e prefeito da cidade naquela época, de como tinha subido na vida e dado a volta por cima, um dia, quem sabe contarei. Maria era diferente da irmã que botava cornos no marido nobre com um zé ninguém, para ela ao assumirmos um compromisso com alguém, temos de nos manter firmes, agora se pecebermos que o relacionamento não está dando certo, é melhor cair fora, do que trair a pessoa, isso é jogo sujo, mas para ela, Clotilde agia assim porque realmente as mulheres de sua familia não prestavam, nasceram para ser putas, estava escrito no destino, quando o único irmão homem, o João Mário, que cuidava de suas finanças em São Paulo, era o pior mulherengo da zona paulistana.
Sua mãe não tinha sido como elas, aos treze anos já estava casada com vosso pai, sendo mulher de um homem só, aos dezoito morrera de parto. Já de seu Arteiro, não se podia falar o mesmo, pois ainda com Dona Iracema vivinha da silva, o capiau tinha se envolvido com Raimunda da gamboa, fazendo-lhe uns vinte filhos, sorte que não escapou nem dez, pois Raimunda, mulher labrocheira, era boa para homem, não para criar filhos, tanto que os poucos que restou, fez questão de doá-los, a peste. Para Maria, a tendência à prostitutas, elas tinham herdado do pai, se é que isso é possível. Voltando a mencionar Pedro Francisco, esse passou a freqüentar a mansão de Maria Homem, Já com a pretensão de casar e garantir direitos na rica herança da moça, mas como para a mulher tudo não passava de uma farsa, descartou de vez tal possibilidade juntando-se com ele de mala e cuia, enquanto passou a brincar de primeira dama, cargo que de tão enfadonho chegava a causar naúseas, por não ter muito o que fazer. Foi nesse período que sua imagem de santa caridosa se espalhou aos quatro cantos de Dunas.
Quem imaginava um dia ver Maria homem transformada em esposa fiel, honrando um compromisso para abastecer o desejo da sociedade, mas foi justamente o que ela passou a fazer depois que assumiu um pacto conjugal com Pedro Francisco.
Até Salete porém, se rendeu ao poço de virtudes de Maria Bonita, que também havia sido Maria Papa Tudo. Na verdade, Salete encheu o rabo de orgulho ao ser convocada para o cargo de secretária de educação pela própria primeira dama e ex dama do meretrício. Enaltecida a cunhã passou a esquecer até dos cornos que Maria lhe botara, meses atrás.
Como primeira dama do paço imperial de Dunas, senhora exemplar, que so vivia para seu homem, uma perfeita imitação barata de Getúlio Vargas, Maria passa a relembrar os bons tempos em que havia sido esposa fiel de outro lorde, o rico fazendeiro de Minas Gerais. Era verdade que em Dunas não havia teatro, nem cinema, como havia em São Paulo. Não havia cassino como em Las Vegas, mas podia passear com ele de mãos dadas pela praça principal da cidadezinha pitoresca, observar o mar e sorrir para a multidão de eleitores por quem eram sempre interrompidos. Eleitores que satisfaziam-se em pegar apenas nas mãos do casal, como verdadeiros súditos, já que Pedro, seguindo os passos de Getúlio dominava-os com sua política populista.
Todos passaram a perceber a mudança do prefeito após o compromisso com a ricaça, antes revoltado e extremamente machista, ao lado dela, tornou-se dócil, um verdadeiro gentleman. Diziam as más línguas que Maria talvez tivesse passado o rabo na cara do sujeito, o que fez muitas mulheres de Dunas mudarem o comportamento em relação aos maridos e aos amantes, mas não era nada do que imaginavam. O motivo de toda a elegância devia-se ao fato de que Maria Bonita, que havia sulgado riqueza e cultura do fazendeiro nobre, passava-lhe aos poucos centésimos fracionados de conhecimentos.
Só que explicitamente, era a intenção de Maria mudar o comportamento das mulheres de Dunas em relação aos homens, pois bastante submissas, não tinham direito a quase nada, a não ser, passar, lavar, ir a missa e cuidar dos filhos, enquanto os poderosos machistas se divertiam com jogos, bebidas e marafonas.
Iniciava-se então a revolta feminista contra o machismo predominante.

maria-homem cap 4 o romance com mardonio um homem casado de Dunas, esa maria não tem jeito!

DA CALMARIA À TEMPESTADE

Da cabana misteriosa, para as praias de Jericoacoara, Canoa Quebrada, Aracati, Camocim, Acaraú e diversas outras do litoral norte do ceará, pois Maria acabou vivendo com Mardônio um romance tórrido, com direito a sol e mar, enquanto a mulher legítima chorava por seu homem, enquanto também Martônio traído pelo próprio pai, reclamava a ausência da primeira mulher de sua vida. Martônio que agora tinha Erivane para consolá-lo, uma lambisgóia feia para burro, do traseiro mucho, ancas caídas, peitos flácidos e barriga em petição de miséria, uma desgraça essa tal de Erivane, de tão baranga dava vontade até de vomitar. Acordar todos os dias com uma bestafera daquelas, devia ser um sufoco, quanto mais ter que tomá- la nos braços, fazê-la mulher, coitado de Martônio! O importante era que o rapaz tinha se acostumado com o fato de ser sustentado por coroas, então como a coisa feia era vitalina, tinha alguns recursos financeiros e muita lenha para queimar, não mediu esforços, garantindo vida mansa ao aproveitador de meia pataca. Antes a coisa feia, do que ZÉ MARIA, um xibungo que havia na cidade e que se ofereceu para lhe dar do bom e do melhor em troca de chamego. Zé maria era a comédia em pessoa, andava rebolando seu traseiro flácido, nunca encontrando quem o quisesse, as vezes conseguia alguns adolescentes, necessitados nos dois sentidos da palavra, as vezes perdia até para as nossas amigas cabritas. Com Martônio, porém, Zé não obteve nenhum êxito, prometendo o menino acabar com o maricas, caso ele voltasse a investir no assunto fatigante. Zé Maria acabou virando chacota em Dunas, tendo que desaparecer daquelas imediações, para não morrer nas mãos dos malandros da cidade. De volta ao belo litoral norte do Ceará, onde Maria descansa nos braços de seu pescador xucro, vejo o mar lambendo a areia, o sol escaldante a devorar a pele de tantos que do mar tiram a sobrevivência, assim como, os elementos do passado que se misturam ao presente. Ouço o canto da jandaia e me emociono. As carnaubeiras balançam, enquanto Maria dorme nos braços de seu homem em alto mar, longe de tudo, dos problemas, do trabalho e principalmente das agruras da vida .Maria sonha com um mundo melhor, mas esquece de que sua felicicidade momentânea está fazendo outras pessoas sofrerem. Não era esse seu desejo ao se relacionar com Mardônio, porém, o diacho do homem era tão sedutor, tão irresistível, que a mulher foi obrigada a cair em tentação. Maria que não amava ninguém, estava buscando apenas prazeres provisórios. Por mais que os homens a quisessem para toda uma vida, Maria que não era mulher de um homem só, optava por aventuras passageiras, fazendo delas infinitas enquanto duravam, como escreveu lindamente Vinícius de Moraes, em seu profundo SONETO DE FIDELIDADE. Mas Maria Bonita também enjoou de mardônio, por mais que seus atributos físicos a deixassem absorta, por mais que as noites fogosas vivenciadas dentro da canoa lhe tirassem o fôlego, na verdade, não havia nascido para o amor, todavia, para a esbórnia. Mardônio assim como Martônio, foram apenas histórias vividas e deliciadas com tanto gás, que acabaram esquecidas pela gula insaciável de Maria fogueteira, novo pseudônimo que acabou adquirindo na cidade dos desocupados.
De volta ao mundinho dos trouxas, pôde perceber que alguém havia feito uma conspiração contra ela, pois as mulheres da cidade, exceto as pobrezinhas que ela tinha ajudado, esperavam-na armadas por cacetetes, a gritarem escandalosamente: - Devoradora de homens casados, piranha, puta dos infernos, aqui tu não entras mais! Maria não foi doida para reagir, contando com um forte aparato policial que a apoiava. Os seus concidadãos, os machos por sua vez, gritaram contradizendo as mulheres revoltadas: - Volta Maria, todos nós, os desamparados, precisamos dos teus favores! O que eles não imaginavam é que Maria seria uma ameaça justamente para os homens da cidade, homens que submetiam suas esposas a se dividirem somente entre os rebentos e os serviços domésticos. A mulher estava disposta a mudar essa mentalidade medieval, lutar contra a imposição machista dos homens, por mais que a ditadura política da época se apresentasse como seu maior obstáculo

maria-homem cap 3 maria- homem volta para a terrinmha natal: Dunas

DA PRIMEIRA APARIÇÃO PÚBLICA DE MARIA HOMEM, OU DO FARTO TRASEIRO A CIRCULAR PELAS RUAS ESTREITAS DE DUNAS.

Em sua primeira aparição pública, Maria homem ao desfilar pelas ruas estreitas de Dunas, chamou a atenção de todos os passantes, inclusive dos moradores xucros que saiam nas portas das casas humildes aos bandos, todos por sua vez, voltados para o requebro das cadeiras da moça, que apesar dos trinta, estava bem melhor que aos quinze. Naquela época em que as mulheres escondiam tudo, guardando a preciosidade apenas para os maridos, era novidade ver alguma delas em trajes mínimos, e Maria teve a ousadia de sair na rua praticamente com a bunda de fora, para o total delírio da macharada, que chegaram a causar tumulto na rua, de tão abismados.Os adolescentes que o digam, tiveram diversos sonhos eróticos naquela noite. Escandalizadas, as beatas colocavam a mão no rosto, enquanto Maria rebolava cada vez mais o farto traseiro. O vigário da paróquia a escumungava, mas em silêncio, sem publicar as palavras, pois contava com a ajuda da nobre figura na reconstrução da igreja local. Maria pediu-lhe a benção e lhe entregou uma nota alta em dinheiro. Mesmo sabendo de onde vinha o money, o presbítero interesseiro jamais seria capaz de recusá-lo, já que naquele dia, os vinténs para o cigarro e a cachaça estavam garantidos. Maria seguiu o dificil trajeto, sempre parando aqui ou ali, para cumprimentar diversos conhecidos que vinham falar com ela. Quanta pobreza chegou também a avistar naquele curto espaço de instante, crianças despidas e desnutridas, mulheres grávidas, maltratadas e aos farrapos. A cara de Dunas era a cara triste da fome. Nos dias que se seguiram, a solidária criatura, começou a doar roupas, sapatos, alimentos e dinheiro para os inúmeros conterrâneos necessitados, revoltada por saber que os governantes de Dunas e região, pouco ou quase nada faziam por aquela gente flagelada. É fácil perceber que por tão nobre gesto, não custou ser chamada de mãe dos pobres, sendo amada e venerada pelos mesmos.
Maria homem também era Maria dignidade, Maria como tantas na redondeza, aquelas que lavavam roupas por um prato de comida,que limpavam peixes ou que se deitavam com homens na tentativa de sobrevivência. Gente que nem os influentes cidadãos de Dunas via, nem as senhorinhas recatadas e tão dedicadas à religião. Maria havia aprendido com a vida, por também ter passado fome, ter comido o pão que o diabo amassou, pois nem sempre a profissão de marafona rende lucros, desde então , só Deus sabe o que a moça deve ter sofrido em São Paulo, antes de encontrar o rico fazendeiro, que lhe colocou no ápice da alta sociedade paulistana. Por ser tratada como rainha por eles, que tanto a tinham esnobado, é que Maria pretendia se vingar, não é o dinheiro que muda a personalidade de uma pessoa, afinal de contas, voltara ainda mais depravada do que já era, o que realmente mudara é que agora possuía estatos, lojas em São Paulo, fazendas nas Minas Gerais e concessionária no Rio de janeiro, os nobres conterrãneos por sua vez, só conseguiam enxergar por esse lado, RIDÍCULOS! O que fizesse ou deixasse de fazer por certo, a partir daquele momento passaria por despercebido, mas Maria não iria deixar barato. - Sou uma prostituta igual a qualquer outra e vou mostrar para essas beatas e esses burgueses de merda, do que uma mulher é capaz!
Naquele momento se aproximou dela o pai de Martônio, pelo visto, com segundas intenções, o que Maria não deixou barato e o convidou para um drinque. Ambos sentaram, começando a beber, a conversar e a trocar olhares lânguidos e libidinosos. Mardônio era o nome do forasteiro mais desejado daquelas plagas, tinha chegado em Dunas dois anos depois que Maria havia partido, apesar de ouvir falar muito dela.
O encontro rendeu uma forte atração e ambos naquele mesmo dia acabaram na cama de uma certa cabana misteriosa.

maria-homem cap 2 a serviçal começa a contar a historia de maria- homem

DA MORTE DO MARIDO À VIAGEM A UM GRANDE CENTRO URBANO COM DIREITO A GLÓRIA OBITIDA ATRAVÉS DO DIPLOMA DE PUTA


Antes de Maria partir para o sul , seus pais viviam numa pobreza extrema. A casa por sua vez, uma choupana de taipa como se diz no nordeste, mal cabia ela, juntamente com os três irmãos. Odiada por todos, por causa do suicídio do marido, Maria foi embora de Dunas, levando com ela RUFINO, o negro a quem tinha se apegado ultimamente por causa de umas braças de terra. Rufino era metido a rico, usando e abusando de braçeletes de ouro, relógio oriente no pulso, casacos de tecidos finos e caros, também Maria só conseguiu viajar, porque o negro lhe pagara a passagem. Ao chegar em São Paulo, dois meses depois, a garota trocara- no por um italiano que lhe levara para o bordéu, na intenção de ganhar dinheiro às custas da mesma. Lá Maria comeu o pão que o, diabo amassou, levando bofetadas de tudo que era jeito, pesadas no traseiro, sem falar no sexo violento que alguns clientes compulsivos lhe obrigavam a fazer.Talvez tenha durado poucos anos a trajetória de marafona da nossa nordestina, pois lá mesmo no LOST HEAVEN, acabou conhecendo um rico fazendeiro das Minas Gerais, este por sua vez lhe restituiu a decência, lhe dando sobrenome importante e poder, muito poder. Com ele Maria viajou pelos quatro cantos do mundo, conheceu a Grécia, Estados Unidos, Holanda e tantos outros. Maria foi feliz por uma fração de dinheiro e diamantes, foi feliz porque o velho antes de morrer lhe deixou o suficiente para que se mantesse, além do que, através dele conheceu outros magnatas que usaram seu corpo, e que lhe deixaram dignidade em cada toque, cada noite concebida.
Dessa maneira Maria conseguiu tirar os pais da pindaíba, concedendo honra e prestígio social à família. Na pacata e solitária Dunas já não se falava em outra coisa a não ser na fortuna da ricaça que aos olhos daquele povo mesquinha passou a ser amada e venerada como se adora a uma uma santa. O QUE O DINHEIRO NÃO FAZ!
Viro a página do diário e o que vejo me assusta: Maria antes de casar havia sido estuprada pelo próprio tio, foi mulher de todos os homens da cidade ,exceto do pai e dos irmãos, pois tinha fogo de baixo da saia, fogo que nem corpo de bombeiro conseguia apagar, agora só porque tinha dinheiro era vista como uma santa, onde já se viu!
Deixo o diário e vou observar minha bola de cristal para ver se encontro Peter, ele parece perdido naquele mundo arcaico. Vejo também o povinho da cidade em pânico só porque Maria está prestes a regressar. É tanta gente perto do castelo de sua familia, que até me assusta. Quanto luxo, quanta riqueza para quem não tinha nada! Vou usar meus poderes sobrenaturais e viajar no tempo, pois a história parece animada, enquanto isso, peter acordará de um sonho e nunca saberá do que se passou com ele.
Estou em 1950, vejo tanta coisa diferente de hoje. As mulheres todas trajadas de um jeito para lá de bizarro, sendo que uma delas me chama atenção. É uma senhorinha muito conservadora e elegante tão como aquelas das obras de Machado de Assis. UM POÇO DAS BOAS VIRTUDES.senhora de sangue azul, além do que irmã de Maria-homem, bem casada com um dos magnatas da cidade, não esquecendo de que depois da ajuda de Maria, a familia passou a fazer parte da elite de Dunas, eis a razão do bom casamento.Tantas como ela mantendo a pose para dar uma de senhorinha recatada para a sociedade,mas na verdade,não passam de mais uma maria. É que a noite todos os gatos são pardos. As rádios anunciavam a vitória de Getúlio Vargas com a seguinte manchete:" O POVO QUIS DE VOLTA O PAI DOS POBRES."
Apesar de ter governado ditatorialmente, vargas não perdeu a enorme popularidade junto às classes populares. Ainda é visto como o defensor dos fracos e oprimidos. Ele teve a coragem de impor aos ricos uma legislação favorável aos trabalhadores. após o noticiário o povo de Dunas dava pulos de alegria, sem saber que tudo não passava de uma grande jogada política, uma farsa para lá de ridícula. Em nome dos pobres, o populismo de Vargas estava defendendo mesmo ,era seus interesses e o interesse da elite brasileira.

maria- homem cap 1

CAPÍTULO ONDE SE ENCONTRA UM MISTERIOSO DIÁRIO E PERMITE-SE UMA VIAGEM NO TEMPO

O avô de Peter havia morrido hà mais de trinta anos, antes do garoto nascer. Devido as estórias fantásticas contadas pelo pai em relação ao avô, peter sempre tivera curiosidades para desvendar o que havia dentro do velho baú de madeira, bastante corroìdo pelo tempo e guardado a sete chaves no sótão da suntuosa residência. Num dia em que os pais se afastaram para uma viagem de núpcias, juntamente com outros casais, Peter foi lá e abriu-o. Para a surpresa do garoto que achava que ali existia muito ouro, não existia nada,embora o velho tivesse sido "HOMEM DO GARIMPO" de acordo com as narrativas férteis do pai. O que Piter encontrou realmente, foi um diário secreto de uma desconhecida. Ás pressas, o pirralho fechou o baú, indo desfolheá-lo em seu quarto. Alguém com poderes mágicos, aproveitando-se da situação, usou esses poderes para transportar o menino para aquelas priscas eras, em que tinha vivido a proprietária do diário.
No antigo mundo, Peter encontrou-se com a jovem Maria Nelsa, de beleza singular e incompáravel. A autêntica senhora do diário. Uma mulher alta, de bustos fartos, cabelos ondulados para baixo da cintura, pele rosada e clara como paína, corpo perfeito e escultural, sendo por isso chamada pelo povo da cidade de MARIA BONITA. Mas Maria Bonita também era MARIA HOMEM de profissão. Ainda criança, despertando a libido de senhores velhos e casados, a menina impudica, dava corda para eles, sendo assediada e apalpada pelos mesmos o tempo todo.
Maria começou a vida sexual muito cedo, aos doze anos de idade já saía para forrós, jà se embolava com homens, tendo o pai por sua vez, que trazê-la para casa pelos cabelos. Maria não era flor que se cheirasse. Bem sabia o egrégio povo de Dunas, que a fogosa menina não ia dá para prestar e não deu mesmo.
DUNAS, CIDADE ESQUECIDA DE DEUS E DOS HOMENS, Submundo perdido no tempo, sem perspectiva de melhores dias para seus habitantes, colocou Maria no patamar das mulheres damas, mesmo antes da garota perder a virgindade, aos treze anos Maria casou com um catatau, aos quinze traiu o marido com o primeiro libertino que apareceu pela frente, ainda aos quinze ficou viúva, pois o trouxa do esposo optou por cometer um suícidio,tentando se libertar-se dos cornos que a moça lhe botara. As traições para com os próximos amantes, foram sucessivas. Daí então, Maria começou a exercer seu oficio de puta, indo párar no maior setor urbano do paìs: São Paulo. Um de seus homens em visita a cidade, encontrou-na em um bordéu de quinta. De principio, a bela era atração principal do prostíbulo, mas como exclusividade nessa profissão dura pouco, acabou sendo substituìda por outras MARIAS da vida. Naquele passado distante, Peter se perdeu no tempo, enquanto aproveito para lhe contar todos os episódios, jà que eu dando uma de esperta roubei o diário do quarto do menino, pois o conteúdo do diário não é propício para um garoto de onze anos, também porque em volta de minha história há um segredo, que talvez só esse velho e carcomido livro da vida de MARIA HOMEM consiga me ajudar.
Fui criada por três senhoras que nunca me contaram nada a respeito de minha mãe. Quanto a meu pai, disseram que sou filha de um manda chuva do sertão, que tentando ocultar o relacionamento espóreo com uma dama da noite, minha mãe, por certo, pagara-lhes mil contos de réis para que me jogassem no rio, na calada da noite.
por misericórdia não o fizeram, fugindo para bem longe de tudo, ou seja, para Pernambuco, pois é de lá que venho, após a morte da última delas, cinqüenta anos depois.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

SENHORA DOS MEUS DESEJOS introdução





Essa obra de Manoel Derson narra em primeira pessoa a história de uma alemã que ao fugir do holocaústo escolhe o Brasil como nova pátria, mas ao desafiar sua época, sofre todos os tipos de preconceitos, sendo que não desiste. Sem colocar o amor em primeiro plano, casa-se por interesse tornando-se uma mulher realizada financeiramente e profissionalmente. Mas o sucesso profissional não foi o suficiente para alcançar a felicidade, para isso, ela teve que descobrir a importância do amor no indecifrável mistério da vida.

VOCÊ NÃO PODE DEIXAR DE LER

SENHORA DOS MEU DESEJOS dedicatória

Prefácio

O amor é bem maior do que a morte,
nos tornamos eternos quando amamos e somos amados verdadeiramente.


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Esse livro retrata um exemplo de um amor verdadeiro, nada mais justo dedicá-lo a minha mãe que faleceu há um ano atrás nesse mesmo dia em que terminei de publicá-lo.
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Aos grandes mestres: Machado de Assis e Jorge Amado
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08/12/2009

senhora dos meus desejos capitulo final

Depois do que aconteceu, João do vento passou a me visitar quase todos os fins de tarde, foram inúmeras as noites que dormimos juntos. Tempo suficiente para descobrir sua verdadeira história e o motivo real de ser um cavalheiro andante. João era filho bastardo do poderoso coronél que estava tentando se apossar das terras de seu pai, pai porque o criou sempre com muito amor e dedicação, pai que ele amava por causa do carinho, dos cuidados e do afeto desde criança, por mais que lhe corresse nas veias o sangue do abastado latifundiário.
Sua mãe havia trabalhado na casa do coisa ruim por diversos anos e ainda solteira acabou se envolvendo com o mesmo, um homem abrupto, insaciável sexualmente. Quando engravidou, foi expulsa pelo sujeito para que a esposa não soubesse e loga em seguida, amparada por seu pai de criação qua a amava desde a infância. O abastado coronél nunca o reconheceu como filho. O tempo passou, João cresceu e depois que a mãe lhe contou sua verdadeira história, tornou-se um jovem revoltado, saiu de casa ainda muito cedo, enfrentando coisas que até Deus duvida. Passou fome e sede, perdido sem rumo na mata íngreme do sertão, se envolvendo com prostitutas e negócios escusos. Teve muitas mulheres, na sua maioria, lindas damas da alta sociedade, pois era um homem bonito, atraente e bom de cama. Um homem que aprendeu com o sofrimento a verdadeira lição da vida. Algumas mulheres lhe prometeram mundos e fundos para que casasse com elas, mas João, folha seca solta ao vento, nunca aceitou-o e continuou sua saga de aventureiro.
Eu também lhe dei do bom e do melhor, lhe comprei roupas caras, relógio de grife, mas sem esperar nada em troca, pois João nunca me enganou sobre suas verdadeiras pretensões.
Depois mais ou menos de uns seis meses, quando o caso das terras se resolveu, sendo que sua família teve vitória garantida na justiça, o pai de João vendeu tudo para ele e foi morar muito longe dali. O dinheiro que João comprou as terras foi ofertado por mim, em troca da felicidade que ele havia me proporcionado por todo aquele tempo. Aos vinte e seis anos, bem vividos, João não mais partiu, após a briga com seu pai biológico, pois teve seu desígnio interrompido. Dois diaa depois da ocorrência judiciária, estávamos cavalgando pelas terras, com grandes projetos, João parecia disposto a sossegar o facho só com uma mulher, quando fomos surpreendidos por uma tocaia de quatro jagunços armados por espingardas. Chegaram atirando e nem houve tempo para João se defender. Quando menos percebi, o homem mais viril que conheci, estava morto, atirado aos meus pés. Foi tão grande a comoção, tão grande a revolta, que enlouqueci. Os jagunços sem dar a mínima importância para a minha fragilidade de mulher, largaram as armas no canto e começaram a festejar tomando muitos goles de cachaça.
Sem que percebessem, escondi três espingardas, me apossando de uma para cometer o que o meu desejo me obrigava. Foi quando me aproximei dos quatro e atirei enlouquecidamente matando-os e comemorando aquela carnificina.
A justiça não me condenou, pelo contrário, como sou advogada, defendi meus direitos de legítima defesa e consegui colocar o satânico coronel atrás das grades, cúmplice pela morte do próprio filho, um empregado da fazenda dele por uma alta quantia de dinheiro testemunhou a meu favor.
Prossegui minha trilha e voltei a ser a advogada resoluta e íntegra, acima de qualquer suspeita, depois de João, outros homens me possuiram, mas amor entre homem e mulher não mais existiu. Apesar da morte, João se manteve vivo em minha vida através de seu filho. A mãe suicidou-se logo que soube do assassinato do pai do garoto, me deixando a lembrança mais importante que tenho dele até hoje, nosso filho Pedro Felipe que me deu dois maravilhosos netos.
Depois que contou sua história para um dos netos, ela levantou, pois sentia uma sensação estranha tomar conta de si. Ao deitar na cama, embora sentindo-se um pouco zonza, quando fechou os olhos, percebe que uma imagem de homem se projetava cada vez mais nítida na sua mente. A imagem de seu grande e único amor, João do vento. Ele a tomou nos braços e levou-a para passear pelo quintal da casa, mas não era um quintal comum, era um lugar diferente, com muita paz, sem rivalidade entre os homens e a natureza. Foi quando ela percebeu que havia se espiritualizado, e ao se espiritualizar certificou-se de que o amor é bem maior do que a morte, que nos tornamos eternos quando amamos e somos amados verdadeiramente.


Ceará, 08-12-2009
Manoel Derson

senhora dos meus desejos capitulo 7

Passei a cuidar do caso, concedendo-lhe total prioridade. Para isso, tive que me deslocar até o sítio onde o cliente capiau morava. Era um lugar grande, inabitado. Chamava-se Rancho Miudo. Cheguei de surpresa, sem que o jovem soubesse, e o encontrei em sua mais natural intimidade. Usava um micro short, deixando tudo à mostra, naquela tarde. Suas pernas grossas e torneadas, seu peito amplo e coberto de pêlos, seu sorriso acolhedor, hum, como fizeram bem para minha visão ofuscada pelo sol!
A garota que estava com ele, cabrocha de uns vinte anos aparentemente e que deveria ser sua mulher, quando me viu, adentrou para os fundos da cabana simples onde morava. Minutos depois, ouvi choro de criança que por certo era filho do meu cliente.
Senti uma atração muito forte nesta ocasião, uma tentação de desafiar o perigo, cometer adultério com um homem casado, pai de família e bem mais jovem do que eu. Eu tinha trinta e cinco anos e ele aparentemente uns vinte e três. Um homem pobre que podia se encantrar com todo meu poder de sedução ou meu status de advogada.
Convidei-o para me levar para conhecer o terreno, ele pôs uma roupa decente e me acompanhou, mesmo que eu preferisse sua nudez e me conduziu como um cavalheiro andante, enquanto isso me falou um pouco de sua vida.
Chamava-se João do vento, disse que era um sujeito do mundo, que sua família morava ao lado e que estava ali apenas para resolver a questão das terras, depois do caso resolvido, voltaria a colocar o pé na estrada, a ser andarilho.
Interroguei sobre a moça, sobre a criança que chorou e ele me respondeu:
_ Se encantou comigo, não lhe prometi nada, daí então nos envolvemos, engravidou e vive de esperança, com o pouco que ganho ajudo-na a criar meu filho.
Prossegui perguntando:
_Só tem esse filho? Essa garota?
Ele sorriu sendo sincero na afirmação:
_Há outras crianças, outras mulheres, só que essas mulheres têm melhores condições financeiras do que eu, umas são bem casadas e preferem levar esse segredo para a cova.
Não sei o que me deu naquele momento, afinal nunca fui uma mulher fácil, só sei que respondi totalmentre atraida pelo camponês;
_ Quem dera fosse uma delas!
Hábil amante, não demorou para ele me tomar nos braços e beijar-me a boca ardentemente. Poucos minutos depois, estavamos nus sobre as folhas secas da mata, ofegantes, sei entender o que tinha acontecido. Dois estranhos no paraíso.
Não me arrependi pelo que aconteceu, porque a felicidade bateu na minha porta naquele momento e eu não podia recusar, já tinha adiado demais essa felicidade, sabia também que seria provisório, mas já que a felicidade não existe, mas momentos felizes, que felizes fossemos enquanto o desejo durasse ou o caso das terras se resolvesse.

senhora dos meus desejos capitulo 6

Eu sentei do lado e ele do outro da mesa do escritório. Um odor forte de suor nesse momento, se espalhou pelo ambiente, pois, parece que o homem havia caminhado muito. Do sertão até a cidade era um estirão.
Os cabelos lisos totalmente maltratados e em desalinho, lhe cobriram os olhos castanhos, o deixando mais lindo ainda. Ao desabafar sobre o que lhe ocorrera, percebi que era um sujeito com pouca instrução, pois tinha uma linguagem xucra.
De vez em quando, ele me olhava, mas por ser muito tímido, logo desviava o olhar, ficando cabisbaixo. Me contemplava de um jeito cálido, de um jeito cândido e eu embora absorvida totalmete na sua história, correspondia-no, sempre que me deparei com seu olhar assustado. Ao concluir seu depoimento e levantar para me dizer adeus, notei que era alto e forte, por causa do esforço enorme no trabalho do campo.
Anotei seu endereço e me despedi dele com um aperto de mão, nem o odor forte de suor, de cheiro de homem, impediu tamanha atração. Era a primeira vez que sentia desejo de amar um homem, quando meu primeiro casamento havia sido mais um negócio do que um matrimônio, perdi minha virgindade com um velho, que tinha idade para ser meu pai, a quem eu dedico eterna gratidão, mas desejo de mulher passei a sentir mesmo naquele momento.
O sol do amor começou a brilhar na minha vida ardentemente, suas chamas reacenderam, iluminaram meu mundo, a mulher que sempre fui, deixou de existir. Passou a chover na minha horta. Chuva de desejo e volúpia.

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