Onde apresenta-se seu Arteiro com árdua trajetória de vida e boas histórias para contar
Seu Arteiro, pai de Maria, era homem andarilho desde a infância. Ainda menino, quando tinha mais ou menos uns onze anos de idade, foi párar no Maranhão por causa da seca, caminhando léguas e léguas com a familia a pé. Passou uma temporada por lá, trabalhando de sol a sol numa fazenda, mas assim que o latinfundiário notou seu crescimento financeiro, espancara-no, lhe tomando tudo que havia conseguido. Na época, Maria tinha seus nove meses de vida, por isso não ficara a par do que se passara. Andarilho, porém, era conhecedor de várias histórias interessantes, como por exemplo a de Rosa ventania. Maria venerava ouvir o pai contando suas narrativas , por isso quando estava em casa, fazia questão que Arteiro soltasse a voz e a sabedoria. Naquela tarde ele aproveitou para falar sobre Rosa, o furacão no corpo de mulher. Apenas uma jovem de dezessete anos, casada, com dois filhos para criar. Criatura calma, sossegada, levava uma vida humilde, vivendo somente para o marido e os filhos. De repente Rosa muda da água para o vinho, começa a sair, fazendo com que a população passe a desconfiar de sua fidelidade ao santo esposo, um xucro pescador ignorante, que a traía com uma mulher de mais de sessenta anos, por causa da poupança da velha. Costata-se que Rosa não está batendo bem da cachola, quando o marido dela a encontra trepada no mais alto mangue, que havia na redondeza. - Rosa está com o diabo no corpo! Passa a insinuar a população em pânico. Rosa volta para casa e continua em paz com sua vidinha de nada, esperando uma nova crise chegar, porque o idiota do marido dela, se divide somente entre a pesca e a amante cheia de rugas, deixando a pobre menina ao Deus dará.-Rosa precisa de homem urgentemente! Volta a murmurar a população malidiscente - mulher histérica como ela não vive sem homem. E Rosa sofre a segunda crise ainda mais brava do que a primeira. Rosa vai até a casa da vizinha e rasga uma galinha viva com as mãos, estrangulando a pobre ave. Dessa vez, a sociedade é um pouco mais solidária com a jovem: -Rosa está com algum espírito no corpo, e precisa urgentimente de cuidados. Naquele dia, Rosa só se acalmou, depois que as beatas começaram a rezar perto dela. A terceira crise veio ainda mais forte. Encontraram Rosa nadando, enfrentando uma forte correnteza, quando de fato Rosa não sabia nadar. - Tirem o demônio do corpo dessa mulher! Gritavam as beatas apavoradas com a extrema violência de Rosa na água, ora nadando em pé, ora de bruços, dispescando currais e fazendo diversas acrobacias. Tiraram Rosa finalmente da água e a levaram para o terreiro, para pai menininho curá-la. Nesse meio tempo, com medo que a mulher não recuperasse mais o juízo perfeito, o frouxo do marido dela, arrumou as trouxas, os filhos, a concubina quase fenecida e caiu no mundo. Livre dos três espíritos que lhe torturavam, Rosa dá graças a Deus pelo fardo que carregava ter desaparecido, por certo o marido, que não valia um vintém, os filhos tinha esperança de recuperá-los mais tarde, quando estivesse em melhor situação financeira e parte para São Paulo.
Em São paulo é onde está a esperança de todos os nordestinos em melhorar de vida, mas as vezes a miséria os persegue ainda mais, já que o fluxo migratório é muito grande e os melhores orgãos empregadores exigem mão-de-obra qualificada, coisa que poucos brasileiros podem ter, principalmente os nordestinos que vão para lá, em sua grande maioria, analfabetos e ruralizados.
Com Rosa não foi diferente, o caminho de volta ela não mais conseguiu, esquecida no lixo do meretrício urbano. Depois de ouvir a história comovente de Rosa tempestade, Maria dá uma saidinha rápida no quintal e o que vê a agrada muito. Tratava-se de um homem nu, homem não, um deus grego, coberto de beleza e encanto, o mais bonito que havia avistado em toda sua vida.Assim que a viu o menino fingiu que tinha ido tomar banho num rio ali perto e que alguém tinha roubado seu calção ,mas Maria esperta, percebeu na hora que o jovem nubente estava blefando. Tinha plena consciência de que a maioria dos adolescentes da cidade fantasiavam uma noite de amor com ela, até porque Martônio havia publicado coisa que até Deus duvida. Embora percebendo o garoto por demais confuso, arrastou-o para seu quarto, ensinando-lhe o alfabeto do a ao z. Só o que ela não esperava é que naquele dia estava com a fertilidade à flor da pele, por isso engravidou do deus grego, assumindo relacionamento em seguida com Pedro Francisco, que de nada chegou a desconfiar. A sorte estava lançada.




















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