segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

maria-homem cap 3 maria- homem volta para a terrinmha natal: Dunas

DA PRIMEIRA APARIÇÃO PÚBLICA DE MARIA HOMEM, OU DO FARTO TRASEIRO A CIRCULAR PELAS RUAS ESTREITAS DE DUNAS.

Em sua primeira aparição pública, Maria homem ao desfilar pelas ruas estreitas de Dunas, chamou a atenção de todos os passantes, inclusive dos moradores xucros que saiam nas portas das casas humildes aos bandos, todos por sua vez, voltados para o requebro das cadeiras da moça, que apesar dos trinta, estava bem melhor que aos quinze. Naquela época em que as mulheres escondiam tudo, guardando a preciosidade apenas para os maridos, era novidade ver alguma delas em trajes mínimos, e Maria teve a ousadia de sair na rua praticamente com a bunda de fora, para o total delírio da macharada, que chegaram a causar tumulto na rua, de tão abismados.Os adolescentes que o digam, tiveram diversos sonhos eróticos naquela noite. Escandalizadas, as beatas colocavam a mão no rosto, enquanto Maria rebolava cada vez mais o farto traseiro. O vigário da paróquia a escumungava, mas em silêncio, sem publicar as palavras, pois contava com a ajuda da nobre figura na reconstrução da igreja local. Maria pediu-lhe a benção e lhe entregou uma nota alta em dinheiro. Mesmo sabendo de onde vinha o money, o presbítero interesseiro jamais seria capaz de recusá-lo, já que naquele dia, os vinténs para o cigarro e a cachaça estavam garantidos. Maria seguiu o dificil trajeto, sempre parando aqui ou ali, para cumprimentar diversos conhecidos que vinham falar com ela. Quanta pobreza chegou também a avistar naquele curto espaço de instante, crianças despidas e desnutridas, mulheres grávidas, maltratadas e aos farrapos. A cara de Dunas era a cara triste da fome. Nos dias que se seguiram, a solidária criatura, começou a doar roupas, sapatos, alimentos e dinheiro para os inúmeros conterrâneos necessitados, revoltada por saber que os governantes de Dunas e região, pouco ou quase nada faziam por aquela gente flagelada. É fácil perceber que por tão nobre gesto, não custou ser chamada de mãe dos pobres, sendo amada e venerada pelos mesmos.
Maria homem também era Maria dignidade, Maria como tantas na redondeza, aquelas que lavavam roupas por um prato de comida,que limpavam peixes ou que se deitavam com homens na tentativa de sobrevivência. Gente que nem os influentes cidadãos de Dunas via, nem as senhorinhas recatadas e tão dedicadas à religião. Maria havia aprendido com a vida, por também ter passado fome, ter comido o pão que o diabo amassou, pois nem sempre a profissão de marafona rende lucros, desde então , só Deus sabe o que a moça deve ter sofrido em São Paulo, antes de encontrar o rico fazendeiro, que lhe colocou no ápice da alta sociedade paulistana. Por ser tratada como rainha por eles, que tanto a tinham esnobado, é que Maria pretendia se vingar, não é o dinheiro que muda a personalidade de uma pessoa, afinal de contas, voltara ainda mais depravada do que já era, o que realmente mudara é que agora possuía estatos, lojas em São Paulo, fazendas nas Minas Gerais e concessionária no Rio de janeiro, os nobres conterrãneos por sua vez, só conseguiam enxergar por esse lado, RIDÍCULOS! O que fizesse ou deixasse de fazer por certo, a partir daquele momento passaria por despercebido, mas Maria não iria deixar barato. - Sou uma prostituta igual a qualquer outra e vou mostrar para essas beatas e esses burgueses de merda, do que uma mulher é capaz!
Naquele momento se aproximou dela o pai de Martônio, pelo visto, com segundas intenções, o que Maria não deixou barato e o convidou para um drinque. Ambos sentaram, começando a beber, a conversar e a trocar olhares lânguidos e libidinosos. Mardônio era o nome do forasteiro mais desejado daquelas plagas, tinha chegado em Dunas dois anos depois que Maria havia partido, apesar de ouvir falar muito dela.
O encontro rendeu uma forte atração e ambos naquele mesmo dia acabaram na cama de uma certa cabana misteriosa.

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