Depois do que aconteceu, João do vento passou a me visitar quase todos os fins de tarde, foram inúmeras as noites que dormimos juntos. Tempo suficiente para descobrir sua verdadeira história e o motivo real de ser um cavalheiro andante. João era filho bastardo do poderoso coronél que estava tentando se apossar das terras de seu pai, pai porque o criou sempre com muito amor e dedicação, pai que ele amava por causa do carinho, dos cuidados e do afeto desde criança, por mais que lhe corresse nas veias o sangue do abastado latifundiário.
Sua mãe havia trabalhado na casa do coisa ruim por diversos anos e ainda solteira acabou se envolvendo com o mesmo, um homem abrupto, insaciável sexualmente. Quando engravidou, foi expulsa pelo sujeito para que a esposa não soubesse e loga em seguida, amparada por seu pai de criação qua a amava desde a infância. O abastado coronél nunca o reconheceu como filho. O tempo passou, João cresceu e depois que a mãe lhe contou sua verdadeira história, tornou-se um jovem revoltado, saiu de casa ainda muito cedo, enfrentando coisas que até Deus duvida. Passou fome e sede, perdido sem rumo na mata íngreme do sertão, se envolvendo com prostitutas e negócios escusos. Teve muitas mulheres, na sua maioria, lindas damas da alta sociedade, pois era um homem bonito, atraente e bom de cama. Um homem que aprendeu com o sofrimento a verdadeira lição da vida. Algumas mulheres lhe prometeram mundos e fundos para que casasse com elas, mas João, folha seca solta ao vento, nunca aceitou-o e continuou sua saga de aventureiro.
Eu também lhe dei do bom e do melhor, lhe comprei roupas caras, relógio de grife, mas sem esperar nada em troca, pois João nunca me enganou sobre suas verdadeiras pretensões.
Depois mais ou menos de uns seis meses, quando o caso das terras se resolveu, sendo que sua família teve vitória garantida na justiça, o pai de João vendeu tudo para ele e foi morar muito longe dali. O dinheiro que João comprou as terras foi ofertado por mim, em troca da felicidade que ele havia me proporcionado por todo aquele tempo. Aos vinte e seis anos, bem vividos, João não mais partiu, após a briga com seu pai biológico, pois teve seu desígnio interrompido. Dois diaa depois da ocorrência judiciária, estávamos cavalgando pelas terras, com grandes projetos, João parecia disposto a sossegar o facho só com uma mulher, quando fomos surpreendidos por uma tocaia de quatro jagunços armados por espingardas. Chegaram atirando e nem houve tempo para João se defender. Quando menos percebi, o homem mais viril que conheci, estava morto, atirado aos meus pés. Foi tão grande a comoção, tão grande a revolta, que enlouqueci. Os jagunços sem dar a mínima importância para a minha fragilidade de mulher, largaram as armas no canto e começaram a festejar tomando muitos goles de cachaça.
Sem que percebessem, escondi três espingardas, me apossando de uma para cometer o que o meu desejo me obrigava. Foi quando me aproximei dos quatro e atirei enlouquecidamente matando-os e comemorando aquela carnificina.
A justiça não me condenou, pelo contrário, como sou advogada, defendi meus direitos de legítima defesa e consegui colocar o satânico coronel atrás das grades, cúmplice pela morte do próprio filho, um empregado da fazenda dele por uma alta quantia de dinheiro testemunhou a meu favor.
Prossegui minha trilha e voltei a ser a advogada resoluta e íntegra, acima de qualquer suspeita, depois de João, outros homens me possuiram, mas amor entre homem e mulher não mais existiu. Apesar da morte, João se manteve vivo em minha vida através de seu filho. A mãe suicidou-se logo que soube do assassinato do pai do garoto, me deixando a lembrança mais importante que tenho dele até hoje, nosso filho Pedro Felipe que me deu dois maravilhosos netos.
Depois que contou sua história para um dos netos, ela levantou, pois sentia uma sensação estranha tomar conta de si. Ao deitar na cama, embora sentindo-se um pouco zonza, quando fechou os olhos, percebe que uma imagem de homem se projetava cada vez mais nítida na sua mente. A imagem de seu grande e único amor, João do vento. Ele a tomou nos braços e levou-a para passear pelo quintal da casa, mas não era um quintal comum, era um lugar diferente, com muita paz, sem rivalidade entre os homens e a natureza. Foi quando ela percebeu que havia se espiritualizado, e ao se espiritualizar certificou-se de que o amor é bem maior do que a morte, que nos tornamos eternos quando amamos e somos amados verdadeiramente.
Ceará, 08-12-2009
Manoel Derson
Sua mãe havia trabalhado na casa do coisa ruim por diversos anos e ainda solteira acabou se envolvendo com o mesmo, um homem abrupto, insaciável sexualmente. Quando engravidou, foi expulsa pelo sujeito para que a esposa não soubesse e loga em seguida, amparada por seu pai de criação qua a amava desde a infância. O abastado coronél nunca o reconheceu como filho. O tempo passou, João cresceu e depois que a mãe lhe contou sua verdadeira história, tornou-se um jovem revoltado, saiu de casa ainda muito cedo, enfrentando coisas que até Deus duvida. Passou fome e sede, perdido sem rumo na mata íngreme do sertão, se envolvendo com prostitutas e negócios escusos. Teve muitas mulheres, na sua maioria, lindas damas da alta sociedade, pois era um homem bonito, atraente e bom de cama. Um homem que aprendeu com o sofrimento a verdadeira lição da vida. Algumas mulheres lhe prometeram mundos e fundos para que casasse com elas, mas João, folha seca solta ao vento, nunca aceitou-o e continuou sua saga de aventureiro.
Eu também lhe dei do bom e do melhor, lhe comprei roupas caras, relógio de grife, mas sem esperar nada em troca, pois João nunca me enganou sobre suas verdadeiras pretensões.
Depois mais ou menos de uns seis meses, quando o caso das terras se resolveu, sendo que sua família teve vitória garantida na justiça, o pai de João vendeu tudo para ele e foi morar muito longe dali. O dinheiro que João comprou as terras foi ofertado por mim, em troca da felicidade que ele havia me proporcionado por todo aquele tempo. Aos vinte e seis anos, bem vividos, João não mais partiu, após a briga com seu pai biológico, pois teve seu desígnio interrompido. Dois diaa depois da ocorrência judiciária, estávamos cavalgando pelas terras, com grandes projetos, João parecia disposto a sossegar o facho só com uma mulher, quando fomos surpreendidos por uma tocaia de quatro jagunços armados por espingardas. Chegaram atirando e nem houve tempo para João se defender. Quando menos percebi, o homem mais viril que conheci, estava morto, atirado aos meus pés. Foi tão grande a comoção, tão grande a revolta, que enlouqueci. Os jagunços sem dar a mínima importância para a minha fragilidade de mulher, largaram as armas no canto e começaram a festejar tomando muitos goles de cachaça.
Sem que percebessem, escondi três espingardas, me apossando de uma para cometer o que o meu desejo me obrigava. Foi quando me aproximei dos quatro e atirei enlouquecidamente matando-os e comemorando aquela carnificina.
A justiça não me condenou, pelo contrário, como sou advogada, defendi meus direitos de legítima defesa e consegui colocar o satânico coronel atrás das grades, cúmplice pela morte do próprio filho, um empregado da fazenda dele por uma alta quantia de dinheiro testemunhou a meu favor.
Prossegui minha trilha e voltei a ser a advogada resoluta e íntegra, acima de qualquer suspeita, depois de João, outros homens me possuiram, mas amor entre homem e mulher não mais existiu. Apesar da morte, João se manteve vivo em minha vida através de seu filho. A mãe suicidou-se logo que soube do assassinato do pai do garoto, me deixando a lembrança mais importante que tenho dele até hoje, nosso filho Pedro Felipe que me deu dois maravilhosos netos.
Depois que contou sua história para um dos netos, ela levantou, pois sentia uma sensação estranha tomar conta de si. Ao deitar na cama, embora sentindo-se um pouco zonza, quando fechou os olhos, percebe que uma imagem de homem se projetava cada vez mais nítida na sua mente. A imagem de seu grande e único amor, João do vento. Ele a tomou nos braços e levou-a para passear pelo quintal da casa, mas não era um quintal comum, era um lugar diferente, com muita paz, sem rivalidade entre os homens e a natureza. Foi quando ela percebeu que havia se espiritualizado, e ao se espiritualizar certificou-se de que o amor é bem maior do que a morte, que nos tornamos eternos quando amamos e somos amados verdadeiramente.
Ceará, 08-12-2009
Manoel Derson




















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