Passei a cuidar do caso, concedendo-lhe total prioridade. Para isso, tive que me deslocar até o sítio onde o cliente capiau morava. Era um lugar grande, inabitado. Chamava-se Rancho Miudo. Cheguei de surpresa, sem que o jovem soubesse, e o encontrei em sua mais natural intimidade. Usava um micro short, deixando tudo à mostra, naquela tarde. Suas pernas grossas e torneadas, seu peito amplo e coberto de pêlos, seu sorriso acolhedor, hum, como fizeram bem para minha visão ofuscada pelo sol!
A garota que estava com ele, cabrocha de uns vinte anos aparentemente e que deveria ser sua mulher, quando me viu, adentrou para os fundos da cabana simples onde morava. Minutos depois, ouvi choro de criança que por certo era filho do meu cliente.
Senti uma atração muito forte nesta ocasião, uma tentação de desafiar o perigo, cometer adultério com um homem casado, pai de família e bem mais jovem do que eu. Eu tinha trinta e cinco anos e ele aparentemente uns vinte e três. Um homem pobre que podia se encantrar com todo meu poder de sedução ou meu status de advogada.
Convidei-o para me levar para conhecer o terreno, ele pôs uma roupa decente e me acompanhou, mesmo que eu preferisse sua nudez e me conduziu como um cavalheiro andante, enquanto isso me falou um pouco de sua vida.
Chamava-se João do vento, disse que era um sujeito do mundo, que sua família morava ao lado e que estava ali apenas para resolver a questão das terras, depois do caso resolvido, voltaria a colocar o pé na estrada, a ser andarilho.
Interroguei sobre a moça, sobre a criança que chorou e ele me respondeu:
_ Se encantou comigo, não lhe prometi nada, daí então nos envolvemos, engravidou e vive de esperança, com o pouco que ganho ajudo-na a criar meu filho.
Prossegui perguntando:
_Só tem esse filho? Essa garota?
Ele sorriu sendo sincero na afirmação:
_Há outras crianças, outras mulheres, só que essas mulheres têm melhores condições financeiras do que eu, umas são bem casadas e preferem levar esse segredo para a cova.
Não sei o que me deu naquele momento, afinal nunca fui uma mulher fácil, só sei que respondi totalmentre atraida pelo camponês;
_ Quem dera fosse uma delas!
Hábil amante, não demorou para ele me tomar nos braços e beijar-me a boca ardentemente. Poucos minutos depois, estavamos nus sobre as folhas secas da mata, ofegantes, sei entender o que tinha acontecido. Dois estranhos no paraíso.
Não me arrependi pelo que aconteceu, porque a felicidade bateu na minha porta naquele momento e eu não podia recusar, já tinha adiado demais essa felicidade, sabia também que seria provisório, mas já que a felicidade não existe, mas momentos felizes, que felizes fossemos enquanto o desejo durasse ou o caso das terras se resolvesse.




















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