
Estou muito velha, decrépita e cansada, sei que a morte aos poucos está se apoderando de mim, mas não há nada a temer, pois a morte é consequencia da vida. Eu que vivi intensamente, amei intensamente, não tenho motivos para temer a morte, pois ninguém viverá para sempre. Que pelo menos o néctar do amor, do meu amor permaneça nas gerações futuras e espalhe suas sementes sobre os homens.
Em 1943, cheguei ao Brasil com minha família. Fugia do Holocaústo, da insanidade de Hitler em exterminar tudo que considerava inferior, inclusive os judeus. Uma alemã perdida nas Minas Gerais, terra do ouro, do café, das grandes fazendas.
Um latifundiário da região que atendia pelo nome de Abílio de Sousa foi quem nos deu abrigo, comida e emprego. Era um homem rabujento e nada perdulário. Só nos acolheu porque havia muito trabalho na fazenda para ser executado.
Meu pai, senhor Anton, logo se juntou aos peões da fazenda para cuidar da boiada, minha mãe, dona Kristin ocupou-se com os afazeres domésticos. A mulher de Abílio, dona Dirse, ao perceber minha desenvoltura com a máquina de costurar tratou logo de me contratar como alfaiata oficial da casa grande. A eloquente suspirou nesse momento ao recordar a casa grande.




















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